O cenário atual vivido pela educação
corporativa pode ser refletido na
frase do filósofo Mario Sérgio Cortella “Há 30 anos, aprender algo permitia
que eu pudesse praticar aquilo por um
bom tempo sem precisar modificar. Hoje
não mais”.
Uma pesquisa do Pew Research Center
sobre aprendizado de longo prazo e tecnologia, já em 2016, mostrava que 73%
dos norte-americanos buscavam conhecimentos o tempo todo e se consideravam “aprendizes da vida inteira”. Do total
de adultos, 74% podem ser chamados de
“aprendizes pessoais”, pois, segundo a
pesquisa, nos 12 meses anteriores participaram de pelo menos uma das várias atividades possíveis: leituras, cursos e eventos
ligados aos temas de interesse, para melhorar seu conhecimento.
Em todos os ciclos da carreira essa mentalidade é importante, porém para os profissionais acima de 50 anos, com possíveis
necessidades de reformulação e mudança
de papéis, ou mesmo, redesenho de uma
nova carreira, torna-se imperativo.
Dados que reforçam a relação aprendizado e envelhecimento produtivo são
apresentados no relatório da Pesquisa
Longeratividade, realizada pelo Instituto
Locomotiva em parceria com Bradesco Seguros em 2019, onde 97% dos 50+ querem
aprender coisas novas durante a aposentadoria. Os que trabalham e obtêm metade de sua renda dessa atividade perfazem 39%, sendo que 37% declararam que
estão satisfeitos com sua vida financeira.
Uma mensagem aqui fica evidente, para
a maioria dos pesquisados aposentar não
significa ficar em casa descansando.
A rapidez das mudanças e a insegurança decorrente das expectativas apresentadas pelo mercado, onde a tecnologia, a
inovação e a renovação acelerada do conhecimento, tornando obsoleto tudo que
acumulamos durante a vida, fortalecem
alguns paradigmas que impactam nossas
reações e constitui um desafio a ser superado.
Manter o foco em aprender ferramentas, como metodologias de inovação e processos tecnológicos para continuar atualizado

zado e pronto para interagir e contribuir
com as organizações, demonstrando a sua
capacidade e relevância na empresa onde
trabalha ou, até uma nova oportunidade
de trabalho, é importante, impulsiona um
movimento interno de renovação de conhecimentos, autoconfiança e abertura
para lidar com os desafios de um mundo
cada vez mais veloz e conectado.
Porém, a essência do aprendizado, especialmente no que se refere a competências duráveis (aquelas que não ficam
obsoletas com o passar do tempo), está
relacionado a questões humanas. A seguir
ressalta-se três pontos que podem elevar
a capacidade e agilidade de aprendizado
para cada um de nós:
• Software interno: A confiança em si
mesmo, no outro e na capacidade
de criar e viabilizar realidades e sonhos constituem mecanismos internos que estão na base das ações diárias e que dão suporte ao processo
interno de tomada de decisão.
• Emoções. Conhecer a si mesmo, ter
clareza do nível de consciência em
relação às suas emoções e da própria capacidade de reação para lidar com questões complexas, com o
novo e como responder emocionalmente frente ao estresse e situações
imprevistas.
• Estado de presença. Manter-se
atento ao contexto em que esta inserido, ambiente, situações, relacionamentos, comportamentos e seus
impactos (em si mesmo e no outro).
Ter abertura para identificar suas crenças limitantes, como medo e escassez,
refletir e trabalhar dificuldades pessoais
como essas, são comportamentos essenciais para desenvolver qualidades que nos
tornam mais conscientes e conectados
com nossa realidade interna, ampliando
assim espaços para:
• melhorar a agilidade de aprendizado;
• ampliar a capacidade de foco para
gerar alternativas e soluções relacionadas ao que queremos alcançar;
• superar as dificuldades inerentes a
idade, desenvolver novas habilidades e permitir-se fazer as mudanças
de comportamentos necessárias
para alcançar seus objetivos;
• assumir responsabilidades, fazer escolhas, definir prioridades, ter disciplina e coragem de rever posições e
rumos na própria trajetória de vida
e carreira.
Uma postura de curiosidade constante
e autodisciplina, além da capacidade de
adaptação, de identificar e relacionar habilidades acumuladas na trajetória pessoal mesmo que possam parecer díspares
em um primeiro momento, além de promover associações de ideias capazes de
gerar novas formas de pensar e agir são
pilares para o desenvolvimento da agilidade de aprendizado, com sustentação para
a prática de mudança de comportamento
cotidiano, acessível a todos nós.
A lenda Fátima, A Fiandeira, conhecida
no folclore grego, nos permite perceber
com clareza o processo de aprendizagem
e tomada de decisão a partir de experiências vivenciadas por uma artesã que, ao
ser desafiada a realizar uma tarefa, considerada impossível, confiou em si mesma,
assumiu o desafio, manteve foco na solução, permitiu-se acessar memórias e habilidades armazenadas, foi gradativamente
estruturando um processo e, finalmente,
superou os obstáculos, cumprindo com
louvor o desejo do Imperador.
Em síntese, a lenda conta que após uma
longa trajetória de vida com muitos obstáculos, provações e aprendizados, um dia
Fátima, A Fiandeira chegou a uma cidade
costeira da China. Os habitantes desta cidade acreditavam que um dia chegaria
uma mulher estrangeira, capaz de fazer
uma tenda para o Imperador. Não existia
na China ninguém com capacidade para
cumprir esse desafio. Levada à presença
do Imperador e questionada “Senhora,
sabes fabricar uma tenda? ela respondeu:
maizaneville@terra.com.br
maizaneville
(55) 71 99983.6111
“Creio que sim, Majestade”.
“Iniciando o trabalho, pediu que lhe
trouxessem cordas, mas não havia. Lembrando-se de seus tempos de fiandeira,
Fátima colheu linho e confeccionou as
cordas. depois pediu uma tela forte, mas
os chineses não dispunham do tipo que
ela precisava. Utilizando sua experiência
junto aos tecelões de Alexandria, Fátima
fabricou uma tela resistente. Percebeu
que precisava de estacas, para sustentar
a tenda, mas também não as encontrou
na China. Fátima, então, recordando-se
do ensinamento do fabricante de mastros
em Istambul, fez, com muita habilidade,
estacas firmes. Quando estas ficaram
prontas, ela puxou de novo pela memória, buscando lembrar-se de todas as tendas que havia visto em suas viagens. E a
tenda real foi construída”.
Esta lenda é um bom exemplo de agilidade de aprendizado, capacidade rápida
de aprender a partir da experiência. Aprendizes ágeis são bons em fazer conexões entre experiências, são capazes de construir
novas soluções orientadas para objetivos
de aprendizagem, realizar novas ações que
permita aplicar os conhecimentos e habilidades em seu desafio atual.
As atitudes inteligentes de Fátima, A
Fiandeira, ao disponibilizar-se a correr riscos, ter coragem e ousadia, levaram-na intencionalmente a criar espaço para novos
desafios, saindo da zona de conforto com
postura não defensiva, sem medo de errar,
confiando em sua capacidade de realização a partir das vivências acumuladas em
sua trajetória de vida.
Preparar-se para o amanhã, para uma
nova carreira ou mesmo para enfrentar as
exigências do mercado, requer atitudes
firmes, coragem e ousadia para questionar a si mesmo: