ERROS, ACERTOS, DILEMAS E DESAFIOS NA PRÁTICA DA LIDERANÇA

Por Maiza Santana Neville Ribeiro. Fundadora e Diretora Executiva da DAMICOS Consultoria. Mais de 30 anos em cargos de direção, assessoria, gerenciamento, consultoria em gestão e educação corporativa em empresas públicas, privadas e não governamentais. Coach; Consultora Organizacional e Educação Empresarial; Mentora de Liderança e Carreira 60+; Conselheira Consultiva. Autora dos livros “Liderança e Sustentabilidade – Dilemas, Desafios e Propósitos” (2010); DIVERSIDADE GERACIONAL: mutações, transformações e impactos dos 50+ nas organizações e na sociedade – Ed. Press Color, 2021 e Co-autora do livro NÓS POR ELAS – Mentores que Transformam Vidas, capítulo mentoria pela maturidade, Ed Literare Book, 2024, São Paulo. Instagram: maizasantananeville e Linkedin: https://www.linkedin.com/in/maizaneville

Reflexões advindas da minha larga experiência em desenvolvimento de liderançasNa prática, a liderança revela verdades pouco romantizadas: envolve dor, demanda coragem moral e inclui erros como parte inevitável do processo de seguir em frente.

Na reunião de fechamento do ano de uma empresa parceira da Damicos Consultoria, fui convidada a conduzir uma palestra para os líderes. O tema escolhido mostrou-se especialmente significativo por provocar reflexões em todos os níveis hierárquicos e abrir espaço para aprendizados e mudanças comportamentais no cotidiano da organização.

Falar sobre erros, acertos, dilemas e desafios na prática da liderança está intrinsecamente ligado ao processo de desenvolvimento do líder. É um convite a retirar a “cortina de fumaça” que muitas vezes encobre percepções importantes e ampliar a consciência sobre forças, virtudes e pontos de atenção. Trata-se, sobretudo, de reconhecer a potência do autodesenvolvimento como alavanca de transformação.

A Damicos Consultoria, empresa da qual sou Sócia-Fundadora, que completará 34 anos de existência em 2026 e já tendo atuado em todos os Estados do Brasil, também foi base de tudo que coloquei neste artigo, pois, já desenvolvemos mais de 100 (cem) Programas de Liderança em organizações de portes, segmentos e estágios de maturidade completamente diferentes

Vivemos em um contexto marcado por mudanças aceleradas, diversidade crescente, avanço tecnológico e um ambiente ruidoso, repleto de distrações. Esse cenário favorece à baixa concentração, interpretações precipitadas e decisões pouco refletidas — fatores que impactam diretamente no desempenho e nos resultados. Nesse ambiente, o autoconhecimento atua como uma bússola de protagonismo: orienta o líder na identificação de habilidades, fragilidades e padrões comportamentais que, quando não reconhecidos, limitam o compromisso com o aprimoramento contínuo.

Apesar das transformações, alguns equívocos ainda persistem nas organizações. Entre os mais recorrentes, destaco:

  1. Confundir autoridade com controle — Liderar não é vigiar; é desenvolver autonomia e confiança. Exige presença, clareza e coragem, não microgestão.
  2. Comunicar pouco e mal — A comunicação segue sendo a base de qualquer cultura organizacional saudável.
  3. Ignorar a diversidade e as gerações — A riqueza das diferenças é um dos principais motores da inovação.
  4. Não preparar sucessores — Liderar não é apenas entregar resultados; é garantir continuidade de propósito, formando outros líderes — inclusive para a própria sucessão.

Liderança é processo, não cadeira.

Ser líder é um exercício diário de escuta, empatia e coerência. A liderança genuína não se mede pelo título no crachá, mas pela capacidade de transformar incertezas em oportunidades e experiências difíceis em aprendizado. A influência verdadeira nasce da confiança — e confiança se constrói com autenticidade. Mais do que mandar, o líder contemporâneo inspira, conecta e dá sentido ao trabalho coletivo.

Liderar hoje é conviver com dilemas constantes. A maturidade do líder se revela na capacidade de equilibrar forças aparentemente opostas, como:

  • Resultados x Pessoas — Números sustentam o negócio, mas são as pessoas que dão sentido aos resultados.
  • Controle x Autonomia — Quanto mais confiança, maior o senso de responsabilidade do time.
  • Velocidade x Consistência — Avançar rápido importa, manter coerência é essencial.
  • Tecnologia x Humanidade — A tecnologia acelera processos; a humanidade constrói confiança.
  • Diversidade x Inclusão real — Diversidade é ser convidado para a reunião; inclusão é ter voz e influência nas decisões.

A formação de um líder evolui à medida que ele enfrenta situações desafiadoras, aprende a lidar com o desconforto e encontra alternativas fora da zona de conforto. Assumir escolhas, tomar decisões impopulares, dizer “não” quando necessário e manter o foco no essencial exigem coragem e clareza de papel. É esse exercício cotidiano que sustenta a maturidade profissional e emocional.

O papel do líder é estratégico em formar, inspirar e sustentar resultados por meio de pessoas. E ninguém cumpre essa missão sem atravessar erros, dilemas e decisões difíceis.